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CIÊNCIAQUIMICA |
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METAIS
ALCALINOS TERROSOS (Berílio-Be, Magnésio-Mg,
Cálcio-Ca, Estrôncio-Sr, Bário-Ba, Rádio-Ra)
OCORRÊNCIA E ABUNDÂNCIA
Os
elementos químicos deste grupo (grupo II) mostram as
mesmas tendências nas propriedades que foram observadas
no Grupo I. Contudo, o berílio se afasta do restante do
grupo, e difere dele muito mais do que o lítio difere do
restante do grupo I. O principal motivo é fato de o átomo
de berílio e o íon Be2+ serem ambos muito
pequenos, e o aumento relativo de tamanho do Be2+
para o Mg2+ é quatro vezes maior do que a
diferença entre o Li+ e o Na+. O
berílio também mostra algumas semelhanças em diagonal
com o alumínio , no Grupo III.
O berílio
não muito familiar, em parte porque ele não é muito
abundante (2ppm) e em parte porque ele é de difícil
isolamento. É encontrado em pequenas quantidades em
minerais do grupo dos silicatos, como berilo Be3SiO4.
O magnésio é o sexto elemento mais abundante na crosta
terrestre (27.640 ppm ou 2,76%). Sais de magnésio
ocorrem na água do mar em proporção de até 0,13%.
Montanhas inteiras são constituídas pelo mineral
dolomita [MgCO3.CaCO3]. A dolomita
calcinada é usada para o revestimento refratário de
altos fornos; a dolomita é usada também na construção
de rodovias. O magnésio ocorre também em série de
minerais do grupo dos silicatos, como olivina (Mg,Fe)2SiO4,
talco Mg3(OH)2Si4O10,
crisotilo Mg3(OH)4Si2O5
(asbesto) e micas, como K+[Mg3(OH)2(AlSi3O10)]-.
O cálcio é o quinto elemento mais abundante na crosta
terrestre (46.000 ppm ou 4,66%), ocorrendo por todo o
mundo na forma de muitos minerais comuns. Há vastos depósitos
sedimentares de CaCO3 formando montanhas
inteiras de calcário, mármore e greda (os penhascos
brancos de Dover), incluindo também os corais. Estes se
originam de conchas de animais marinhos. Embora o calcário
seja essencialmente branco , em muitos lugares ele
apresenta coloração amarela, laranja ou marrom, devido
à presença de traços de ferro. Há duas formas
cristalinas de CaCO3, a calcita e a aragonita.
A calcita é mais comum: apresenta cristais romboédricos
incolores. A aragonita é ortorrômbica, geralmente de
cor vemelha-castanha ou amarela, o que explica a cor da
paisagem da região do Mar Vermelho, das Bahamas e dos
rochedos da Flórida. O calcário é importante
comercialmente como fonte de cal, CaO.
O cálcio também é encontrado na fluorapatita [3(Ca3(PO4)2.CaF2]
é industrialmente importante como fonte de fosfato. O
gesso CaSO4.2H2O e anidrita CaSO4
são minerais abundantes.
O estrôncio (384 ppm) e o bário (390 ppm) são muito
menos abundantes, mas bastante conhecidos, porque ocorrem
como minérios concentrados que permitem fácil extração.
O estrôncio é obtido como celestita SrSO4 e
estroncianita SrCO3.
O bário é obtido como barita BaSO4 sendo
encontrado em todo o mundo.
O rádio é extremamente raro e radioativo. Foi isolado
pela primeira vez por Pierre e Marie Curie processando várias
toneladas do minério de urânio pechblenda. Antigamente
era usado no tratamento radioterápico de câncer: hoje
usam-se outras fontes de radiação para esta finalidade
(60Co, raios X, ou um acelerador linear).
Marie Curie recebeu o Prêmio Nobel de Química em 1911
pelo isolamento e estudo do rádio e polônio.
OBTENÇÃO
DOS METAIS
Os metais
desse grupo não podem ser obtidos facilmente por redução
química, porque eles próprios são fortes agentes
redutores, reagindo com carbono para formar carbetos.
Eles são fortemente eletropositivos e reagem com água;
assim soluções aquosas não podem ser usadas no
deslocamento de um metal por outro, ou na obtenção
eletrolítica. A eletrólise de soluções aquosas pode
ser efetuada usando um cátodo de mercúrio, mas a separação
do metal da amálgama é difícil. Todos esses metais
podem ser obtidos por eletrólise de seus cloretos
fundidos, adicionando-se cloreto de sódio para baixar o
ponto de fusão, embora o estrôncio e o bário mostrem
tendência de formar uma suspensão coloidal.
BERÍLIO: O Be metálico
é obtido convertendo o hidróxido em BeCl2
por tratamento com C e Cl2, e eletrolisando o
BeCl2 fundido. O Be também pode ser obtido
reduzindo o BeF2 com magnésio. O BeO é extraído
do mineral berilo Be2Al2Si6O18
por tratamento térmico ou fusão alcalina, seguida de
tratamento com ácido sulfúrico para formar BeSO4
solúvel. A adição de NH4OH fornece Be(OH)2,
que por aquecimento leva a BeO.
MAGNÉSIO: é o único metal do
grupo II a ser produzido em larga escala. Atualmente o Mg
é obtido por redução a alta temperatura, e por eletrólise.
No processo de Pidgeon, o Mg é produzido reduzindo
dolomita calcinada com ferrosilício a 1.150°C, à pressão
reduzida.
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calor |
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+Fe/Si |
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CaCO3.MgCO3 |
® |
CaO.MgO |
® |
Mg |
+ |
Ca2SiO4 |
+ |
Fe |
A eletrólise
pode ser efetuada com MgCl2 fundido, ou com
MgCl2 parcialmente hidratado. O MgCl2
é produzido de duas maneiras:
Processo Dow de água do mar
A água do mar contém cerca de 0,13% de íons de Mg2+,
e a extração do magnésio depende do fato de ser o Mg(OH)2
muito menos solúvel do que o Ca(OH)2. Cal
hidratada Ca(OH)2 é adicionada à água do
mar: os íons cálcio se dissolvem e precipita o Mg(OH)2.
Este é filtrado, tratado com HCl para formar o cloreto
de magnésio, e eletrolisado.
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Ca(OH)2 |
+ |
MgCl2 |
® |
Mg(OH)2 |
+ |
CaCl2 |
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cal hidratada |
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da água do mar |
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precipita |
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calor |
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Mg(OH)2 |
+ |
2HCl |
® |
MgCl2 |
+ |
2H2O |
Processo Dow da salmoura natural
Calcina-se dolomita MgCO3.CaCO3
(por aquecimento 900°C), com a obtenção de MgO.CaO (dolomita
calcinada). Esta é tratada com HCl, o que leva a uma
solução de CaCl2 e MgCl2. Ela é
tratada com nova quantidade de dolomita calinada,
borbulhando-se a seguir CO2. O CaCO3
precipita, deixando em solução o MgCl2, que
é a seguir eletrolisado.
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CaCl2.MgCl2 |
+ |
CaO.MgO |
+ |
2CO2 |
® |
2MgCl2 |
+ |
2CaCO3 |
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precipita |
CÁLCIO:
O metal Ca é obtido por eletrólise do CaCl2
fundido, obtido ou como subproduto do processo Solvay, ou
a partir da reação entre CaCO3 E HCl. As
grandes fontes de cálcio são os minerais constituídos
por CaCO3.
Os outros minerais Sr e Ba, são produzidos em
quantidades bem menores, por eletrólise dos cloretos
fundidos, ou por redução de seus óxidos com alumínio
(um processo termita, ou aluminotermia).
USOS DOS
METAIS DO GRUPO II
BERÍLIO:
O Be é usado na obtenção de ligas com outros metais. A
adição de 2% de Be ao metal cobre aumenta sua resistência
por um fator de 5 ou 6. Um liga de Be e Ni é utilizada
na fabricação de molas e contatos elétricos. O Be
apresenta uma seção transversal de captura (seção
eficaz) muito baixa para a captura de nêutrons, e é
usado na indústria da energia nuclear. Tanto o Be como o
BeO (este tem propriedades cerâmicas) foram usados em
reatores nucleares.
MAGNÉSIO: o magnésio é um
metal estrutural leve extremamente importante por causa
de sua baixa densidade (1,74 gcm-3, comparado
com o aço 7,8 gcm-3 ou o alumínio
2,7 gcm-3). O Mg forma muitas ligas binárias,
frequentemente contendo até 9% de Al, 3% de Zn e 1% de
Mn, traços dos lantanídeos praseodímio Pr e neodímio
Nd, e traços de tório. O metal e suas ligas podem ser
fundidos, trabalhados e soldados com facilidade. Ele é
utilizado na fabricação de aeronaves, peças de avião
e motores de automóveis. Bulbos fotográficos antigos
continham magnésio em um ambiente de oxigênio; o magnésio
era inflamado eletricamente. A adição usual de 5% de Mg
ao alumínio melhora as qualidades deste. Do ponto vista
químico, ele é importante em reagentes de Grignard,
como por exemplo C2H5MgBr.
CÁLCIO: O cálcio é usado em larga escala
como CaO (óxido de cálcio) - cal. É usado na indústria
alimentícia, na indústria do papel, na construção
civil, na indústria do vidro, na indústria do aço e
obtido da calcinação do CaCO3 no processo
para fabricação do cimento portland. O metal Ca é
usado na fabricação de ligas com Al para mancais. Ele
é usado também na indústria do ferro e do aço para
controlar o carbono no ferro fundido e para remoção de
P, O e S. Outros usos são: como redutor na obtenção de
outros metais - Zr, Cr, Th e U - e na remoção de traços
de N2 no argônio. Do ponto de vista químico,
o CaH2 é às vezes usado como fonte de hidrogênio.
ESTRÔNCIO: Compostos de Sr são
utilizados em fogos de artifício e na sinalização
vermelha das rodovias.
BÁRIO: O sulfato de bário é
tão insolúvel que embora Ba2+ seja tóxico, o
BaSO4 pode ser ingerido sem perigo. Por esse
fato e considerando que íons Ba2+ refletem
fortemente os raios-x, BaSO4 é aplicado na
medicina em radiografias; estruturas interiores do corpo
podem ser claramente caracterizadas porque o BaSO4
é opaco aos raios-x.
RÁDIO: Antigamente era usado
como emissor alfa no tratamento de câncer.
IMPORTÂNCIA
BIOLÓGICA
Os íons Mg+2 se concentram nas células
animais, e os íons Ca2+ se concentram nos fluídos
corpóreos fora da célula, de modo semelhante à
concentração do K+ no interior da célula e
do Na+ no seu exterior. Os íons Mg2+
formam um complexo com o ATP, e são constituintes dos
fosfoidrolases e das fosfotransferases, que são enzimas
para reações envolvendo o ATP e liberando energia. São
também essenciais para a transmissão de impulsos ao
longo de fibras nervosas. O Mg2+ é
importante na clorofila, nas partes verdes das plantas. O
Ca2+ é importante em ossos e dentes como a
apatita, Ca3(PO4)2, e no
esmalte dos dentes, como fluorapatita, 3(Ca3(PO4)2).CaF2.
Os íons Ca2+ são
importantes na coagulação do sangue, e são necessários
para dar início à contração dos músculos e para
manter o batimento regular do coração.
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