CiênciaQuímica - Trabalhos de Pesquisa Escolar - Toxicologia


INTERESSANTE


TOXICOLOGIA  

CONTEÚDO  (ir para: página 02- página 03)

1) Histórico;
2) Farmacodependência;
3) Sistema nervoso;
4) Neurônios;
5) Impulso nervoso;
6) Neurotransmissão no sistema nervoso central;
7) Ações farmacológicas;
8) Classificação das drogas;
9) Estimulantes (anfetaminas, tabaco,cafeína e cocaína);
10) Depressivos, barbitúricos e tranqüilizantes;
11) Ópio e seus derivados;

12) Alucinógenos;
13) Métodos de obtenção das drogas;
14) Testes de identificação das drogas;
15) Bibliografias.

 

1) HISTÓRICO (voltar ao Conteúdo)

"Toxicologia é a ciência que define os limites de segurança dos agentes químicos, entendendo-se como segurança a probabilidade de uma substância não produzir danos em condições específicas". (Casarett)

A evolução histórica da toxicologia e a maneira de reagir da sociedade diante de seus vários problemas podem ser divididas em várias fases.

Uma fase inicial, primitiva, em que o homem descobre os tóxicos existentes na natureza, representados pelos alimentos nocivos e animais venenosos. Aprende a evitá-los e a utilizá-los para sua defesa e nas suas atividades de caça.

A fase seguinte, em que o veneno é empregado para fins punitivos e homicidas, é uma das mais prolongadas e marcantes na história da toxicologia, encontrando sua época áurea na idade média. Tão marcantes os vários aspectos dessa fase, tão divulgados os venenos e as técnicas de envenenamento na literatura, na arte e no cinema, que criaram na sociedade um errôneo conceito ou noção de veneno somente ligado a alguns produtos, tais como arsênico, cianeto, ácido sulfúrico etc. Estes produtos eram sempre correlacionados ao crime ou a punições.

Talvez seja esse fato uma das explicações para o verdadeiro descaso, pelos mais elementares princípios de segurança com que são manuseados ou distribuídos, até hoje, grande número de substâncias tóxicas ou potencialmente tóxicas. Estas, evidentemente, não têm a conotação dramática, de crime ou punição, do veneno descrito na literatura ou na arte.

Na terceira fase, que poderia ser chamada a toxicologia moderna, a intoxicação é encarada sob diferentes prismas, permitindo uma subdivisão em vários capítulos, tais como:

Intoxicações profissionais, cujo o estudo é objeto da medicina do trabalho.

Intoxicações alimentares, incluindo não só os alimentos tóxicos, vegetais ou animais como também os aditivos químicos e os envoltórios (plásticos, papéis, latas e etc.).

Poluição ambiental, neste aspecto vale citar o interesse atualmente despertado pelo problema da contaminação não só do meio ambiente, como dos alimentos animais ou vegetais, pelos resíduos dos inseticidas.

Doenças Iatrogênicas, Teratogênese, consequência direta do progresso da indústria farmacêutica.

Intoxiação por animais venenosos e peçonhentos.

A nossa finalidade principal neste trabalho é a parte da toxicologia que faz o estudo dos entorpecentes, estupefacientes ou euforizantes.

O número inicialmente pequeno de substâncias utilizadas para este fim (morfina, cocaína, heroína, etc.) é agora muito grande, incluindo produtos dos mais variados, desde a maconha e os medicamentos psicotrópicos, até a ingestão de sementes de solanáceas e inalação de cola para plásticos.

Desde a mais remota antiguidade, o homem procurou encontrar um remédio que tivesse a propriedade de aliviar suas dores, serenar suas paixões, trazer-lhes alegrias, livrar-lhe de angústias, do medo ou que lhe desse privilégios de prever o futuro, que lhe proporcionasse coragem, ânimo para enfrentar as tristezas e o vazio da vida.

E é também, desde os primórdios da civilização humana que o homem tem conhecido e feito uso de drogas psicotrópicas. As drogas são substâncias capazes de atuar no psiquismo humano alterando seus processos cognitivos: emoções, pensamentos, raciocínio, memória, vontades, etc. A história antiga revela que à milhares de anos muitos povos já produziam e consumiam bebidas que continham o álcool etílico. Relatos históricos também revelam que a maconha era conhecida na China desde 2.737 a.C.. Hipócrates, o pai da medicina, recomendava o uso do ópio como medicamento para várias afecções. Os índicos dos Alpes Andinos há séculos mascam as folhas da coca, de onde se extrai a cocaína.

Como observamos, o fenômeno do uso de drogas psicotrópicas é historicamente remoto. Porém, é na atualidade que ele se intensificou muito, se tornando um dos problemas sociais mais graves das sociedades modernas.

Estamos habituados a associar a palavra droga apenas a substâncias como maconha e cocaína; há uma convenção sociocultural de que droga é algo ilícito ou muito chato. Na verdade, droga é um conceito muito mais amplo. Nas definições contidas no dicionário Aurélio, droga significa:

1 - Qualquer substância que se usa em farmácia, em tinturaria, etc.;

2 - Medicamento;

3 - Produto oficial, de origem animal ou vegetal, no estado em que se encontra no comércio;

4 - Medicamente ou substância entorpecente, alucinógena, excitante, etc.;

5 - Figura coisa de pouco valor;

6 - Coisa enfadonha, desagradável.

Já segundo a OPAS, Oficina Pan-Americana de Saúde, droga psicotrópica é aquela que age no cérebro, modificando o seu funcionamento, trazendo como consequências alterações do comportamento e do psiquismo.

Outro aspecto que também deve ser analisado diz respeito ao consumo de drogas. A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a seguinte classificação para as pessoas que utilizam substâncias psicoativas:

Não usuário: nunca utilizou drogas;

Usuário leve: utilizou drogas, mas no último mês o consumo não foi diário ou semanal;

Usuário moderado: utilizou drogas semanalmente, mas não diariamente, no último mês;

Usuário pesado: utilizou drogas diariamente no último mês.

Para nossa melhor compreensão, consideramos apenas dois tipos de usuários: o usuário recreativo ou ocasional e o usuário problema ou dependente. A maioria das pessoas, por exemplo, usam as bebidas alcóolicas recreacionalmente, sabendo quando parar e o que pode ou não fazer depois de ter ingerido uma certa quantidade de álcool. Existe um controle sobre a bebida. Nos dependentes, isto não acontece. A vontade de beber é tão intensa que o usuário não consegue controlar-se, precisando dos efeitos do álcool para sentir-se capaz de exercer as tarefas comuns ao dia a dia de todos nós. É importante saber que nem todo usuário recreativo será um dia um dependente, mas com certeza, todo dependente já foi um dia um usuário recreativo.

 

2) FARMACODEPENDÊNCIA (voltar ao Conteúdo)

O estado psíquico e às vezes físico produzido pela interação entre um organismo vivo e uma substância (fármaco) é denominado farmacodependência; caracteriza-se a farmacodependência por modificações do comportamento e por outras reações que compreendem sempre um impulso irreprimível a tomar um medicamento em forma contínua ou periódica, a fim de experimentar seus efeitos psíquicos e, muitas vezes,para evitar o mal-estar produzido pela falta do medicamento. A dependência pode ou não ser acompanhada de tolerância, que é a necessidade do indivíduo usar doses cada vez maiores da droga para obter os mesmo efeitos que sentia no início. Existem três tipos de tolerância: a comportamental, a farmacodinâmica e a farmacocinética. A tolerância comportamental é uma adaptação aos efeitos psicológicos da droga; a farmacodinâmica é uma adaptação no lugar específico do cérebro onde as drogas atuam, de forma que a resposta se torna reduzida; e a farmacocinética consiste na destruição mais rápida no sangue, principalmente por causa da ativação de enzimas do fígado. Os três tipos de tolerância cooperam juntos para que as drogas diminuam seus efeitos, e por isso mesmo os usuários recorrem a doses cada vez mais elevadas às vezes até letais. Todas as drogas, em maior ou menor grau, sofrem certa tolerância no organismo humano.

Uma pessoa pode ser dependente de um ou mais medicamentos. A OMS subdividiu ainda dependência em psíquica e física:

Psíquica: estado no qual o medicamento ou droga produz "uma sensação de satisfação e um impulso psíquico que leva o indivíduo a tomar periódica ou continuamente o medicamento ou a droga para conseguir o prazer ou evitar o mal-estar".

Física: "estado de adaptação que se manifesta pelo aparecimento de profundas modificações físicas quando se interrompe a administração do medicamento ou droga. Essas alterações, isto é, as síndromes de abstinência manifestam-se por sintomas e sinais de natureza psíquica e física e variam de acordo com o medicamento ou droga.

Há substâncias e drogas que ao interagirem com um organismo podem provocar um estado de dependência física, psíquica ou de ambos os tipos. Certas substâncias pertencentes a esse grupo podem ser utilizadas para fins médicos, sem necessariamente produzir dependência. Instalada a farmacodependência, suas características variam com tipo de substância empregada. Algumas substâncias, como as que existem no chá ou no café podem produzir dependência no sentido mais amplo, situação que não é necessariamente nociva.

Verifica-se, que a maioria das drogas abusadas pelo homem podem funcionar como recompensa, reforçando os comportamentos que produzem sua auto administração.

O caráter de recompensa dos efeitos farmacológicos das drogas pode explicar alguns aspectos importantes da dependência psicológica. O primeiro é o da importância da administração da droga pelo próprio sujeito. De acordo com as teorias da aprendizagem é necessário que a cadeia de comportamento que leva à auto administração seja reforçada pelos efeitos prazerosos da droga para que o comportamento se repita no futuro e seja assim mantido. De tal princípio decorre que, para se prevenir a dependência causada por receitas médicas (dependência iatrogênica), deve-se evitar que um opióide ou outra droga que possas determinar dependência seja ministrada pelo próprio paciente. Por outro lado, a possibilidade de auto administração, aliada a disponibilidade dessas drogas, explica porque os médicos e enfermeiros se tornam dependentes de drogas em maior proporção que outros profissionais.

Os princípios gerais da aprendizagem postulam ainda que recompensas imediatas são mais eficazes para reforçar o comportamento do que recompensas e punições que demoram a acontecer após o ato que as produziu. Pode-se, então, compreender porque as drogas que chegam rapidamente ao cérebro logo após a auto administração são mais capazes de induzir dependência do que as que demoram mais tempo para produzir efeitos centrais. Num extremo temo, por exemplo a cocaína, quando injetada na veia ou fumada ("crack" ou base livre) e a heroína por via endovenosa, e no outro a metodona e fenobarbital, ingeridos pela boca.

O mesmo princípio pode também explicar o fato de os usuários continuarem a ingerir drogas, apensar dos graves prejuízos muitas vezes causados por elas. E o que o efeito prazeroso advém da introdução da droga no organismo ocorre a curto prazo mantendo o comportamento de auto administração, enquanto que as consequências danosas ocorrem tarde demais para terem efeitos punitivos e, assim, suprimirem o mesmo comportamento. Portanto, uma vez caído na armadilha, não é fácil o indivíduo se livrar da dependência de drogas, mesmo porque nem sempre há desejo de fazê-lo.

 

3) SISTEMA NERVOSO (voltar ao Conteúdo)

As drogas psicoativas e medicamentos de que trataremos neste trabalho atuam basicamente modificando a função de sistemas de células nercosas que constituem estruturas cerebrais definidas. Por esse motivo ao discutirmos seu modo de ação, seremos forçados a nos referir a algumas partes constituintes do sistema nervoso assim como o de suas funções principais.

O sistema nervoso (SN) é o conjunto de estruturas nervosas, formado por células especiais capazes de exercerem funções primordiais à vida humana. Do ponto de vista anatômico, o SN se divide em sistema nervoso central (SNC) e sistema nervoso periférico (SNP). Funcionalmente, o SN se divide em simpático e  parasimpático.

Basicamente o SNC é um órgão processador de informações. Os detectores ou receptores fisiológicos pertencentes aos diferentes órgãos dos sentidos captam determinadas alterações de energia (ondas luminosas e acústicas, variações de pressão ou calor) ou detectam certas substâncias químicas (susbstâncias odoríferas ou palatáveis) no meio ambiente que vive o animal, codificando esses sinais sob a forma de impulsos nervosos que caminham pelos nervos  sensitivos até o SNC. Neste último, uma imensa rede de células nervosas filtra, analisa, armazena, recupera e elabora essas informação, programando reações motoras que são comunicadas pelos nervos eferentes aos órgãos executores, tais como a musculatura esquelética e visceral e as glândulas exócrinas e endócrinas. Assim sendo, o SNC é o órgão responsável pela manutenção da constância do meio interno e pelo comportamento dos animais.

Os elementos constituintes mais importantes do SNC são as células nervosas ou neurônios.

4) NEURÔNIOS (voltar ao Conteúdo)

O número  de neurônios que constitui o cérebro humano é literalmente astronômico. São aproximadamente o equivalente ao número de estrelas existentes em nossa galáxia e todas as células comunicam-se abundantemente entre si. Um neurônio típico recebe informações de milhares de outros neurônios e envia sinais à outras tantas células nervosas. Embora diferindo bastante na forma e nas dimensões, os diversos tipos de neurônios existentes no SNC possuem várias características em comum. Todos eles compõem-se de um corpo celular, no qual se encontram o núcleo, contendo o material genético (DNA), o retículo endoplasmático rugoso sintetizador de proteínas, o aparelho de golgi formador das vesículas secretoras e mitocôndrias que fornecem energias para as reações químicas que aí se processam. Do corpo celular saem numerosos prolongamentos, denominados dendritos (do grego dendros = árvore), os quais como o nome sugere, se ramificam como os galhos de uma árvore. Do corpo celular parte também um prolongamento longo denominado cilindro-eixo ou axônio que caminha por distâncias variáveis de alguns milímetros a vários centímetros até ramificar-se em terminações mais finas, formando botões terminais que vão estabelecer contatos com outras células nervosas. Esses contatos interneuronais são denominados sinapses. Um neurônio típico recebe milhares de conexões sinápticas que se situam principalmente sobre os dendritos e o corpo celular. Existem também em menor número, botões sinápticos que se apõem sobre o axônio e mesmo sobre os terminais nervosos de outros neurônios.

O componente mais importante do neurônio é sua membrana celular, especializada em gerar e propagar impulsos elétricos. Estes são produzidos pelo deslocamento seletivo de átomos eletricamente carregados ou íons de sódio, potássio, cloro ou cálcio para dentro e para fora da célula, através de canais ou poros existentes na membrana.

5) O IMPULSO NERVOSO (voltar ao Conteúdo)

A formação de impulsos elétricos na membrana do neurônio torna-se possível pelo fato da mesma se achar permanentemente polarizada, com cargas elétricas negativas predominando no interior da célula em relação à face externa da membrana. Isso se dá porque as concentrações de íons são diferentes no meio intra e extracelular. O íon sódio (Na+), por exemplo, existe em concentrações 10 vezes maiores no meio externo que no fluído intracelular, e o inverso se dá com o íon potássio (K+). Essa distribuição desigual se mantém graças à seletividade dos poros que normalmente impedem a entrada de Na+ . É o funcionamento de uma verdadeira bomba iônica, constituída por uma proteína da membrana, a qual transporta constantemente Na+ para fora e introduz K+ no meio intracelular.

Um impulso nervoso nada mais é do que uma onda propagada de despolarização, causada pela abertura súbita de diversos canais de Na+ do exterior para o interior da célula, com consequente diminuição da negatividade elétrica em face externa. Estes eventos duram alguns milésimos de segundos, sendo logo inativados os canais de Na+ e a membrana repolarizada pela saída de uma quantidade de K+ .

6) NEUROTRANSMISSÃO NO SISTEMA NERVOSO CENTRAL (voltar ao Conteúdo)

Como a fenda sináptica é uma soluç

ão da continuidade, ou seja, é um espaço entre as células e fatalmente impede a passagem dos estímulos, faz-se necessário que o estímulo ali chegado seja transmitido à célula seguinte. Chegando aos botões terminais, os impulsos nervosos promovem a liberação de substâncias químicas especiais, os chamados neurotransmissores, que aí se acham armazenados no interior de vesículas sinápticas. Estas são formadas ao nível do corpo celular, e para atingir os terminais são transportadas ao longo dos axônios a velocidades variáveis conforme a célula. As moléculas dos neurotransmissores são por sua vez sintetizadas em várias partes da própria célula nervosa principalmente nos próprios terminais sinápticos, onde são liberadas. Esta síntese se faz a partir de substâncias precursoras, que são obtidas dos alimentos ou formadas no próprio organismo por transformação de outras que pertencem a sua economia.

Neurotransmissores são substâncias químicas responsáveis pela transmissão de sinais eletroquímicos entre os neurônios. Para que o estímulo seja transmitido entre neurônios, os neurotransmissores são liberados com a função de transmitir os sinais de uma célula a outra. Isso é a neurotransmissão.

Os neurotransmissores mais importantes são: serotonia, dopamina, noradenalina, acetilcolina, endorfina, GABA e ácido glutânico.

 

7) AÇÕES FARMACOLÓGICAS (voltar ao Conteúdo)

Enumeraremos os principais  mecanismos através dos quais as drogas de ação central podem alterar o funcionamento de uma neurotransmissão.

Em primeiro lugar, uma droga pode interferir na síntese do neurotransmissor, inibindo uma ou mais enzimas que provocam a conversão da molécula do precursor na do transmissor. Como resultado de tal inibição, a concentração do neurotransmissor nos terminais nervosos fica diminuída, sendo menor a quantidade liberada pelo impulso nervoso. Deste modo, as funções mediadas pela neurotrasmissão são em geral deprimidas pelos inibidores de síntese. Resultados semelhantes é causado por drogas que bloqueiam a captação do neurotransmissor pelas vesículas sinápticas. Em consequência, estas são total ou parcialmente esvaziadas, liberando menos neurotransmissor à chegada do impulso nervoso.

Nos dois exemplos acima, os efeitos do neurotransmissor, estão diminuídos, porque declina sua concentração na fenda sináptica, ou seja, no meio ambiente em contato com os receptores. Contudo, isto pode também ser conseguido bloqueando-se diretamente os receptores pós-sinápticos por meio de drogas denominadas antagônicas. Estas possuem uma configuração molecular suficientemente semelhante a do neurotransmissor para se combinarem com alta afinidade, em geral maior que a do próprio neurotransmissor, com seus receptores. Diferem, porém, dele quanto a outras características moleculares, de forma que a combinação do antagonista com o receptor não resulta numa deformação eficaz. Assim sendo, não desencadeia efeito ao combinarem com o receptor, tal qual uma chave que entra na fechadura mas não pode ser girada. Ocupando uma antagonista parte ou totalidade dos receptores de um neurotransmissor, impede que este último atue, diminuindo ou mesmo bloqueando seus efeitos, ainda quando a concentração do mediador na fenda sináptica seja normal ou esteja mesmo aumentada.

Por outro lado, existem drogas que são quimicamente tão semelhantes ao neurotransmissor, que não só se combinam como seu receptor, mas também o ativam. Imitam, assim, o neurotransmissor natural e podem ser usadas para intensificar funções por ele mediadas. São as chamadas drogas miméticas ou organistas diretos. Esta última denominação é usada para contrastá-las com os organistas indiretos, que também facilitam a neurotransmissão por que promovem a liberação do neurotransmissor armazenado no terminal nervoso, seja diretamente, seja facilitando o impulso nervoso. Em contra partida, existem outros agentes farmacológicos que bloqueiam a liberação do neurotransmissor pelo impulso impedindo, assim, o funcionamento da neurotransmissão.

Finalmente, a inativação do neurotransmissor pode ser dificultada por drogas que bloqueiam a recaptação do neurotransmissor ao nível da membrana pré-sináptica. Isso faz com que aumente sua concentração na sua fenda sináptica. Alternativamente, certas drogas inibem as enzimas metabolisadoras do neurotransmissor, resultando no seu acúmulo no terminal pré-sináptico e na fenda sináptica. Em ambos os casos, o funcionamento da neurotransmissão é intensificado.

8) CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS (voltar ao Conteúdo)

No contexto legal as drogas se dividem entre drogas lícitas e drogas ilícitas. As drogas lícitas são aquelas vendidas legalmente, controladas ou não. Álcool, tabaco, cola de sapateiro, moderadores de apetite, estimulantes (conhecidos também por rebites), morfina, éter, benzina, barbitúricos, xaropes, (opióides) e tranquilizantes são os principais exemplos. Ilícitas são as drogas comercializadas ilegalmente. Maconha, cocaína, heroína, crack e LSD despontam entre as mais utilizadas.

As drogas ainda podem ser naturais ou sintéticas dependendo de sua origem. As drogas naturais são provenientes de plantas enquanto que as drogas sintéticas são produzidas em laboratório, ainda que muitas vezes desdobradas a partir de substâncias naturais. É importante esclarecer que uma droga não causa menos malefícios ao organismo do que outra por ser natural. Venenos altamente mortais como a estricnina e o cianureto também são naturais.

Existe ainda uma outra divisão que classifica as drogas pela maneira com que elas alteram o funcionamento cerebral.

De acordo com a PMDF (Polícia Militar do Distrito Federal) existem cinco grandes grupos das drogas ou tóxicos psicotrópicos:

  • Alucinógenos: maconha, LSD, mescalina (cacto), psilocibina (cogumelo);

  • Narcóticos: derivados do ópio;

  • Hipnóticos: barbitúricos;

  • Estimulantes: anfetaminas, cocaína;

  • Tranquilizantes: valium, librium, sedacom, equanil;

Há muitas classificações para as drogas, mas neste trabalho citaremos apenas duas:

Classificação legal brasileira

  • Entorpecentes:

    • Naturais: ópio, morfina, heroína, cocaína, maconha;

    • Sintéticos: dilaudid, dolatina, petidina, demerl;

    • Psicotrópicos: barbitúricos, anfetaminas, LSD, mescalina, psilocibina, DMT, STP.

Classificação inglesa

  • Narcóticos: ópio, morfina, cocaína;

  • Depressores: barbitúricos, benzodiazepínicos, solventes;

  • Estimulantes: cocaína, anfetaminas, efedrina;

  • Alucinógenos: LSD, mescalina, cannabis (THC).

9) ESTIMULANTES (voltar ao Conteúdo)

Os estimulantes são compostos que afetam o Sistema Nervoso Central acelerando sua atividade. Podem ser substâncias naturais como a epinefrina ou sintéticos como a anfetamina.

Os dois estimulantes mais frequentes são a nicotina, no tabaco e a cafeína, ingrediente do café, do chá e de alguns refrigerantes engarrafados como a coca cola. Consumidos com moderação estes estimulantes tendem a aliviar a fadiga e a afastar o sono tendo sido aceitos como parte da nossa cultura.

O 1° estimulante natural descoberto foi a epinefrina (adrenalina). Esta substância encontra-se nas glândulas suprarrenais dos animais. Seus efeitos descritos pela primeira vez em 1899.

O 1° estimulante sintético foi elaborado por um químico japonês em 1919. Esta substância foi identificada mais tarde como a metil anfetamina. Em 1927 Gordon Alhes descreveu pela 1a. vez uma substância chamada 1 fenil 2 amino propano e sua atividade. Os laboratórios Smith, Klinne e Frenche estudaram esta substância e desenvolveram a bencedrina. Durante o processo, o composto foi denominado com o seu verdadeiro nome químico: alfa-metil amina ou anfetamina.

ANFETAMINA

A anfetamina é chamada de rebite principalmente entre os motoristas que precisam dirigir durante várias horas sem descanso a fim de cumprir prazos pré-determinados. Também é conhecida como bolinha por estudantes que passam noites inteiras estudando ou por pessoas que costumam fazer regimes de emagrecimento sem o acompanhamento médico.

As anfetaminas agem de uma maneira ampla afetando vários comportamentos do ser humano. A pessoa sob sua ação tem insônia, inapetência, sente-se cheia de energia e fala mais rápido ficando "ligada". A pessoa que toma anfetamina é capaz de executar uma atividade qualquer por mais tempo sentindo menos cansaço.

Uma análise feita pela PFDF (Polícia Federal do Distrito Federal) em 310 casos de abuso de anfetaminas devido à injeção intravenosa de altas doses da mesma, as reações psicológicas adversas se dividem em cinco categorias:

  1. Reações de ansiedade, nas quais o indivíduo fica temeroso, mostrando inquietude pela sua saúde física;

  2. Psicose de anfetamina, na qual o indivíduo interpreta mal o que lhe fazem as demais pessoas, alucina-se e se torna ilusoriamente receoso;

  3. Sindromes de esgotamento, uma profunda sensação de cansaço e a necessidade de dormir, uma vez passada a fase de estimulação;

  4. Depressão prolongada;

  5. Alucinação prolongada, na qual o indivíduo continua alucinado após a droga ter sido metabolizada.

Normalmente os consumidores de altas doses apresentam relevante perda de peso, múltiplas deficiências vitamínicas e cáries dentárias. Há também a possibilidade de danos no cérebro, já que o coma e seu consequente dano cerebral podem aparecer ao consumir uma dose alta de anfetaminas.

Tabela 1. Nomes comerciais de alguns medicamentos a base de drogas do tipo anfetaminas, vendidos no Brasil. Dados obtidos do Dicionário de Especializações Farmacêuticas - DEF 96/97.

DROGA DO TIPO ANFETAMINA PRODUTOS (Remédios Comerciais) VENDIDOS EM FARMÁCIA
Dimetilpropiona ou Anfepramona Dualid; Hipofagin; Inibex; Moderine.
Fenproporex Desobesi M; Lipomax AP; Inobesin.
Mazindol Dasten; Fagolipo; Absten Plus; Diazinil; Dobesix.
Metanfetamina Perviten = ICE (USA)
Metilfenidato Ritalina

O consumo destas drogas no Brasil chega a ser alarmante, tanto que até a ONU vem alertando o governo brasileiro a respeito. Por exemplo, entre estudantes brasileiros do nível fundamental e médio das 10 maiores capitais do país, 4,4% revelaram já ter experimentado pelo menos uma vez na vida uma droga tipo anfetamina. O uso frequente (6 ou mais vezes no mês) foi relatado por 0,7% dos estudantes. Este uso foi mais comum entre meninas.

Os investigadores internacionais de narcóticos devem prestar especial atenção à seguinte descrição dos precursores químicos

Tabela 2. Descrição dos precursores químicos das anfetaminas, seus usos, formas do produto, transporte, armazenamento e fabricação industrial.

ÁCIDO AC. FENILACÉTICO AC. FENIL 2 PROPANONA
OUTROS NOMES Ac. Bencenoracético/ Ac. Atoluico/ Sais: sal sódico de fenilacético/ fenilacético sódico/ sal potássico de fenilacético. 1 fenil 2 propanona/ fenilcetona/ bencil metil quetona/ metil  bencil quetona.
USOS LEGAIS
  • Produto químico intermediário na elaboração de fenilacetato de anfetaminas;
  • Produto básico na elaboração de penicilinas especialmente a penicilina G;
  • Elaboração de perfumes;
  • Aditivo em soluções de limpeza.
  • Precursor químico de anfetamina, metanfetaminna, propilhexedrina;
  • Usados pelos laboratórios farmacêuticos;
  • Também como modelo de análise em laboratórios de química e universidades;
  • Aditivo em soluções de limpeza;
USOS ILEGAIS
  • Base química de anfetaminas, metanfetaminas e seu precursor imediato a fenilcetona.
  • Considerado precursor imediato nos EUA na tabela II da Lei de Controle das Substâncias (11.0211980);
COMPANHIAS LEGAIS Produtos farmacêuticos Produtos farmacêuticos e suprimentos químicos.
FORMA DO PRODUTO Solução líquida que contém 50% de Ac. fenilacético e o resto de água PH de 7 aprox. O Ac. fenilacético (em forma não salina) é um pó branco de odor acre desagradável. Líquido claro de alta ebulição e moderadamente viscoso.
TRANSPORTE O Ac. fenilacético é vendido geralmente em quantidade de 4000 galões (15.140 L), transportado em caminhões tanques. Também vende-se 55 galões (208,2 L) conforme cada vasilhame, 540 libras líquidas (244,5 Kg). Vasilhames de 55 galões (208,2 L) que contém 460 libras líquidas (208,1 Kg).
ARMAZENAMENTO Armazenamento em soluções líquidas de sais de sódio ou potássio em tanque de ferro com carbono. Entretanto, a solução do sal sódio deve estar em lugares quentes, postos que congela a 10°, enquanto a solução de sal potássio permanece líquida a qualquer temperatura. O Ac. fenilacético na forma não salina deve ser guardado em frascos escuros em local seco e fresco. Armazenado em recipientes herméticos em lugar seco e fresco.
FABRICAÇÃO INDUSTRIAL Reação de cianeto de bencilo e alcali (potássio cáustico). Carboxilação ácida catalisada do ácido fenilacético.

TABACO

o:spt="202" path="m,l,21600r21600,l21600,xe">

Nicotina

Caixa de texto: Nicotina

O tabaco é uma planta cujo nome científico é Nicotina Tabacum da qual é extraída uma substância chamada nicotina. Seu uso surgiu aproximadamente no ano 1000 a.C. nas sociedades indígenas da América Central em rituais mágicos religiosos com objetivo de purificar, contemplar, proteger e fortalecer os ímpetos guerreiros, além de acreditar que a mesma tinha o poder de predizer o futuro. A planta chegou ao Brasil provavelmente pela migração das tribos tupis-guaranis.

A partir do século XVI, o seu uso foi introduzido na Europa por Jean Nicot, diplomata francês vindo de Portugal após ter-lhe cicatrizado uma úlcera na perna, até então incurável.

No início utilizado com fins curativos, através do cachimbo, difundiu-se rapidamente atingindo Ásia e África no séc. XVII. No século seguinte surgiu a moda de aspirar rapé, ao qual foram atribuídas qualidades medicinais, pois a rainha da França, Catarina de Médicis, a utilizava para aliviar suas enxaquecas.

No séc. XIX iniciou-se o uso do charuto através da Espanha atingindo toda a Europa, Estados Unidos e demais continentes sendo utilizado para demonstração de ostentação. Por volta de 1840 a 1850, surgiram as primeiras descrições de homens e mulheres fumando cigarros, porém, somente após a 1a. Guerra Mundial (1914-1918) seu consumo apresenta grande expansão.

Seu uso espalhou-se por todo mundo a partir de meados do séc. XX, com ajuda de técnicas avançadas de publicidade e marketing que se desenvolvem nesta época.

A nicotina é uma das drogas mais utilizadas no mundo. Ao dar uma tragada ela é absorvida pelos pulmões do fumante e chega ao cérebro em 9 segundos.

Os principais efeitos no SNC são elevação leve de humor (estimulação) e diminuição do apetite. A nicotina é um estimulante leve, mas, muitos não acreditam nisto por causar um relaxamento do tônus muscular. Utilizado a longo tempo causa tolerância.

Alguns fumantes quando suspendem repentinamente seu uso, podem sentir fissura (desejo incontrolado por cigarro), irritabilidade, agitação, prisão de ventre, dificuldade de concentração, sudorese, tontura, insônia e dor de cabeça, estes são sintomas da Síndrome de Abstinência que desaparece em 2 semanas.

A nicotina também provoca um pequeno aumento no batimento cardíaco, na pressão arterial, a frequência respiratória e na atividade motora. O uso intensivo e constante de cigarros aumenta a probabilidade da ocorrência de algumas doenças, como por exemplo a pneumonia, câncer (pulmão, laringe, esôfago, boca, estômago, entre outros), infarto de miocárdio, bronquite crônica, efisema pulmonar, derrame cerebral, úlcera digestiva e etc.

Os fumantes não são os únicos expostos à fumaça do cigarro, pois, os não-fumantes também são agredidos por ela, tornando-se fumantes passivos.

Estudos comprovam que filhos de pais fumantes apresentam uma incidência 3 vezes maior de infecções respiratórias (bronquite, pneumonia, sinusite) do que filhos de pais não fumantes.

CAFEÍNA

Derivada do trimetilado de xantina, a cafeína é encontrada em plantas amplamente distribuídas por diferentes regiões geográficas.

Se usada regularmente, na quantidade de 350mg ao dia, a cafeína pode induzir a uma forma de dependência física: dor de cabeça que desaparece com a sua ingestão.

A dose fatal de cafeína para o ser humano é de 3,2g, se administrada por via indovenosa. Cada xícara de café contém em média entre 70mg e 80mg de cafeína. Aparentemente, mesmo a longo prazo, não foi evidenciada toxicidade orgânica no uso diário de 600mg, o que equivale a aproximadamente oito xícaras médias de café.

A pessoa que não está acostumada, ao tomar uma xícara de café ou chá pode ter dor de cabeça, agitação e nervosismo.

A cafeína causa insônia, estimula o metabolismo dos músculos, podendo adiar a fadiga muscular, melhorando o desempenho intelectual.

Já está comprovado que a cafeína aumenta a toxicidade de outros agentes cancerígenos.

 

COCAÍNA 

O uso da cocaína data de época muito remota. Os índios do Peru a conheciam desde quando eram colocados nos sarcófagos dos Incas. Os conquistadores espanhóis, quando chegaram à região, encontraram as folhas de coca servindo de moeda e leis que reservavam seu consumo à classe nobre sacerdotal, bem como às cerimônias religiosas e aos sacrifícios. A proibição de seu consumo pela massa geral acabou sendo mantida pelos invasores, o que propiciou seu cultivo, estendendo-se a todos os vales úmidos dos Andes, desde a Colômbia até o sul do Chile e desde as Cordilheiras até o norte da Argentina, bem como ao Brasil.

Em 1806, foi levada para a Europa e Albert Niemann conseguiu isolar seu princípio ativo existente nas folhas de coca, chamando-o de cocaína. Foi considerada na época uma droga de grandes poderes, o que fez com que fosse introduzida em muitos medicamentos. Sigmund Freud, por exemplo, realizou alguns experimentos com a cocaína, recomendando-a para desordens digestivas, esgotamento físico, asma, anestesias locais, entre outros. No auge de sua recomendação como medicamento, a cocaína foi incluída na fórmula de uma bebida que se tornou famosa: a coca-cola. Em 1888, a empresa Coca-Cola afirmava em suas propagandas que o tônico aliviava a dor de cabeça e a fadiga. Mais tarde, com o aparecimento de trabalhos científicos que mostraram a ineficácia da droga para tais fins e provaram a dependência psicológica que poderia provocar, a fórmula da bebida foi mudada e a cocaína foi substituída pela cafeína.

Até 1914, a cocaína era usada sob variadas formas terapêuticas, mas principalmente em anestesia local, visto que a droga possui qualidades vasoconstritivas (restringe e retém o fluxo de sangue). Daí por diante, começaram as restrições e finalmente a proibição de seu uso em quase todos os países do mundo, devido ao grande potencial que apresenta de originar dependência. Atualmente não possui mais indicação terapêutica e sua importância é exclusivamente devida ao abuso, que tem aumentado muito nos últimos anos.

A cocaína é um alcalóide cristalino branco que se encontra nas folhas do arbusto de coca, sendo pouco solúvel em água e em álcool e muito solúvel em clorofórmio e éter. O arbusto coca cresce de cinco a dez pés de altura, possuindo troncos que se estendem amplamente e que apresentam uma ramagem frondosa. O modo de usar a folha varia em cada região. Tradicionalmente, as folhas de coca são mascadas pelos povos que vivem nas encostas dos Andes para aumentar a resistência física, diminuir a fadiga e o apetite, permitindo, assim, suportar melhor as altitudes elevadas. No Amazonas, preferem reduzi-las a pó, associando-lhes cinzas de certas plantas para fazer uma massa esverdeada, que é usada para mascar ou chupar, sendo também consumida para aliviar a fadiga e o sono e diminuir o apetite. Para produzir sensações, a cocaína é administrada como pasta de coca, preparada com solventes de gordura, como o querosene e a gasolina, sendo fumada em cachimbos e cigarros. Também é administrada como sal solúvel, o cloridrato de cocaína, pó branco que é aspirado pelas narinas ou dissolvido em água e injetado endovenosamente ou como base livre que, por resistir à combustão, pode ser fumada em cachimbos (crack). Dentre esses métodos, o mais comum hoje em dia é inalação.

O consumo de cocaína produz efeitos imediatos no aparelho cardiovascular, no sistema nervoso central, e efeitos imediatos que levam à dependência psíquica e física. os efeitos físicos são muitos e os mais comuns são: aceleração do pulso; aumento da pressão arterial, do ritmo da respiração e dos reflexos; dilatação das pupilas; diminuição do apetite e do sono; secura da língua e dos lábios; irritação da garganta; lesões abertas ao redor do nariz e posterior apodrecimento da membrana que separa as duas fossas nasais; náuseas, vômitos e torcimento do estômago e anemia.

Os efeitos psicológicos também são os mais variados. Os usuários apresentam: sensações de estimulação mental e física; euforia; falta de memória; sensação de aumento das capacidades; aumento da capacidade de audição; diminuição da inibição; sensação de estimulação sexual; aparecimento de paranóia; incapacidade de concentração; depressão profunda e cansaço.

10) DEPRESSIVOS, BARBITÚRICOS E TRANQUILIZANTES (voltar ao Conteúdo)

Os depressivos são compostos que afetam o SNC diminuindo sua atividade. Podem ser naturais ou sintéticos. Os depressivos também podem ser classificados como hipnóticos (provocam sono) ou tranquilizantes (proporcionam alívio do cansaço, relaxam os músculos e acalmam sem provocar sono ou sonolência.

Este tipo de droga foi descoberto em 1864 pelo químico alemão Adolf Von Bayer, que sintetizou o Ácido Barbitúrico. Em 1903, as investigações conduziram à descoberta do primeiro derivado hipnótico do Ac. Barbitúrico, o Barbital. Depois deste, descobriram-se mais de 2.500 derivados. Os depressivos também têm outros usos médicos legais, como anestésicos em operações pouco importantes, tratamento com calmantes em situações de pré e pós operatório e como anticonvulsionantes. Desde que a dependência física resulte do abuso dos depressivos, também aparece a síndrome de abstinência. Esta pode ser fatal porque necessita de supervisão médica.

BARBITÚRICOS

Os barbitúricos foram sintetizados ainda no Séc. XVIII e, atualmente existem cerca de quinze derivados dessa droga. Em 1903 foi lançado no mercado farmacêutico o primeiro medicamento à base de barbitúricos, o Veronal indicado  por induzir ao sono (como hipnótico) e como sedativo. Seu uso tornou-se muito difundido. Na década de 60 apareceram as famosas benzodiazepinas ("calmantes") que passaram a substituir os barbitúricos.

A indicação destas drogas varia de acordo com o tempo de ação e podemos dividí-las em quatro grupos:

  1. Ação ultracurta (como Pentotal), cujos efeitos são imediatos e têm duração de alguns minutos. São usadas para indução de anestesias, cirurgias e administradas por via endovenosa;

  2. Ação curta (como Nembuta), cujos efeitos começam a ser sentidos de 15 a 20 min. após a ingestão permanecendo de 1 a 3 horas. Induzem ao sono;

  3. Ação intermediária (como Vacotany e Amital), cujos efeitos se iniciam em 30 minutos e duram 4 a 8 horas de ação hipnótica para manutenção do sono;

  4. Ação prolongada (como Gardenal e Luminal), cujos efeitos podem permanecer de 8 a 16 horas e são geralmente usadas como anticonvulsivos.

Ainda que as doses normais possam causar dependência, os barbitúricos podem ser consumidos durante anos sem nenhuma dificuldade; portanto, o consumo prolongado de doses altas pode conduzir à dependência e à tolerância. Em combinação como o álcool e outras drogas o seu efeito aumenta. Como por exemplo: se alguém tomar verobarbital ou pentobarbital em doses altas, como 800 a 1000 mg durante 10 semanas ocorrerá a dependência física. As doses diárias que consomem alguns toxicômanos pode chegar a 15 cápsulas de 100 mg cada uma ou 1500 mg diária.

Durante o tratamento pode ocorrer a síndrome da abstinência (delírios, fortes convulsões, inquietação), caso seja retirado abruptamente.

Geralmente os sintomas que podem ser detectados num toxicômano que padece de abstinência de barbituratos são parecidos aos tremores produzidos pelo delírio e abstinência da morfina. Os sintomas progressivos que aprecem são: insônia, irritabilidade, ansiedade, alucinações, tremores, náuseas e vômitos, dores abdominais, etc.

Também existe a sobredose dos barbitúricos. A dose tóxica ou letal é a mesma para os que são dependentes e para os que não são dependentes. É mínima ou nula. A morte por sobredose de barbitúricos se deve a falhas respiratórias.

TRANQUILIZANTES

Os tranquilizantes classificam-se geralmente como maiores e menores. Os tranquilizantes maiores ou drogas psicotrópicas têm largo e importante emprego na medicina psiquiátrica, sendo indicados nas doenças mentais mais graves, as psicoses. Também recebem o nome de neuroléticos ou antipsicóticos e, como sugere o nome, atuam ao nível do cérebro, produzindo forte tranquilização. Uma de suas funções foi a de substituir as camisas-de-força físicas, aliviando o número de crises psicóticas.

Tabela 3. Alguns dos tranquilizantes maiores.

NOME GENÉRICO NOME COMERCIAL
Clorpromazina Thorozine
Promazina Spartne
Perfenzina Trilofan
Prodorperazina Compozine
Tioridazina Mellaril
Trifluoperazina Stelozine
Triflupromazina Vesprin
Mesoridazina Serentil
Reserpina Serdontil

 

 

 

 

 

Estas drogas acalmam pacientes violentes, excitados ou aterrorizados sem provocar sono como os barbitúricos. Entretanto, pode-se produzir morte se consumido em excesso. Não há síndrome de abstinência com os tranquilizantes maiores. Estas drogas só são adquiridas mediante receita médica.

Os tranquilizantes menores pertencem ao terceiro tipo de droga depressora do SNC. São ansiolíticos (que combatem a ansiedade) ou calmantes (nome popular).

Os tranquilizantes surgiram na década de 50, com a descoberta do mepro bromato mas foi ao final dela, em 1959, que apareceram as benzodiazepinas, as drogas mais representativas entre os tranquilizantes menores. A primeira a ser sintetizada foi o clorodiazepóxido, que comercialmente leva os seguintes nomes: Litrium, Psicodesin, Tensil e outros. Depois, veio o Diazepan; Somalium, Valium, Dienpax, Valix, etc. e apartir do Diazepan surgiram outras substâncias como: Lorazepan (Loriun, Lorax), o Bromazepan (Lexotan), o Oxacepan (Serax), o Fluoracepan (Dalmane).

Os traquilizantes menores, ainda que não sejam tão potentes quanto os maiores, podem produzir dependência em tratamentos de larga duração. Ademais, observa-se a síndrome da abstinência quando se deixa de tomar a droga.

O álcool e os tranquilizantes menores, quando ingeridos juntos, têm seus efeitos potencializados, pondo em risco a saúde e, em alguns casos, há perda de consciência e alterações no ritmo cardíaco e respiratório.

DROGAS ÁCIDAS NÃO BARBITÚRICAS

As outras drogas que não derivam do Ac. Barbitúrico são denominados sedentes hipnóticos ou Ac. não barbitúricos. Essas drogas provocam o sono e relaxam o paciente hierático. Todas podem causar dependência psicológica em determinados usuários e a maioria, se não todas, pode causar dependência física quando consumida em excesso. todas as drogas ácidas não barbitúricas mencionadas têm efeito sedente e hipnótico em determinadas doses.

Tabela 4. Algumas Drogas Ácidas e seus Nomes Comuns:

NOME GENÉRICO NOME COMERCIAL
Brumoso Sódico Sodium Bromide
Paraldehido Paraldeyde
Hidrato de Cloral Noctec; Sommos
Betaina Cloral Beta-Clor
Cabromal Cabromol (cápsulas Cabrital)
Glutehimato Doriden
Metipriló Noludar
Eticlorvino Valmid
Etinomato Qualude
Metqualona Parret/ Somnafol

A identificação de drogas depressivas deve ser procedida por um químico competente.

 

CONTINUA  NA PÁGINA 02 - (ir para: página 02- página 03)