QUÍMICA
INORGÂNICA
ESTRUTURA ATÔMICA E MOLECULAR DA
MATÉRIA
Os átomos
Estamos familiarizados com o
conceito de átomo e estamos cientes que átomos são
partículas submicroscópicas de que toda a matéria é
composta. O átomo é a unidade fundamental de um
elemento. Todos os átomos de um dado elemento são idênticos
em quase todos os aspectos e os átomos de diferentes
elementos são diferentes. Conseqüentemente, damos para
um elemento e seus átomos o mesmo nome, como por
exemplo, o elemento cobre é composto de átomos de
cobre, e o elemento oxigênio, de átomos de oxigênio. O
símbolo para um elemento pode ser usado para representar
um átomo daquele elemento; assim, Fe pode representar um
átomo de ferro e Cl um átomo de cloro.
(para saber
mais sobre o átomo clique aqui).
Todos os átomos são constituídos
por um núcleo central rodeado por um ou mais elétrons.
O núcleo contém prótons, e todos os núcleo mais
pesados que o hidrogênio possuem nêutrons. Juntos, os
prótons e nêutrons constituem a maior parte da massa do
átomo.
Prótons e nêutrons são partículas
de massa unitária, porém o próton possui uma carga
positiva e o nêutron é eletricamente neutro. Assim, o núcleo
sempre apresenta carga elétrica positiva. O número de
cargas elétricas positivas no núcleo tem seu
correspondente número de cargas elétricas negativas,
representadas pelos elétrons. O elétron é
relativamente mais leve, possui cerca de 1/1.836 da massa
do próton.
O hidrogênio é o primeiro e
mais simples dos elementos. Ele é constituído por um núcleo
contendo um próton e tem, portanto, um carga positiva,
que é contrabalançada por um elétron circundante
contendo uma carga negativa. O segundo elemento é o hélio.
O núcleo do hélio contem 2 prótons e sua carga é
contrabalanceada por dois elétrons. O número de cargas
positivas no núcleo de um átomo é sempre igual ao número
de elétrons circundantes, e é chamado de número atômico
do elemento.
Considerando a estrutura atômica
como uma forma planetária, podemos imaginar que os elétrons
se movem em torno do núcleo em órbitas circulares, de
modo semelhante ao movimento dos planetas em torno do sol.
O hidrogênio
possui um elétron em sua primeira órbita; o hélio
possui 2 elétrons em sua primeira órbita. A primeira órbita
desses dois elementos, portanto, estará completa. Os
oito átomos seguintes são lítio, berílio, boro,
carbono, nitrogênio, oxigênio, flúor e o neônio. Cada
um deles possui no núcleo um próton a mais que o
elemento precedente, e o elétron adicional vai para uma
segunda órbita. Assim, estará preenchida a segunda órbita.
Nos próximos oito elementos - com número atômicos de
11 a 18 - o elétron adicional começa a preencher um
terceiro nível.
Os elétrons são atraídos pelo
núcleo por meio de forças de atração eletrostática.
Um elétron próximo do núcleo é fortemente atraído
por este e possui uma baixa energia potencial. Um elétron
distante do núcleo é atraído com menos intensidade e
possui elevada energia potencial.
ESPECTROS ATÔMICOS DO HIDROGÊNIO
E A TEORIA DE BOHR
Quando átomos são aquecidos ou
submetidos a uma descarga elétrica, eles absorvem
energia, que em seguida é emitida como radiação. Por
exemplo, se o cloreto de sódio for aquecido na chama de
um bico de Bunsen, são produzidos átomos de sódio que
dão origem à coloração amarela característica da
chama.
Passando-se uma descarga através
do hidrogênio (H2), a baixa pressão, formam-se
alguns átomos de hidrogênio (H), que emitem luz na região
do visível. Essa luz pode ser estudada por um espectrômetro,
verificando-se que ela compreende uma série de linhas
com diferentes comprimentos de onda. Quatro linhas podem
ser vistas a olho nú, mas muitas outras são observadas
fotograficamente na região do ultravioleta. Essas linhas
se aproximam cada vez mais à medida que o comprimento de
onda (l) diminui, até atingir-se a região do
espectro contínuo.
Os comprimentos de onda: v=c/l
(v=freqüência em hertz -ciclos
por segundo; c é a velocidade da luz de 2,9979 x 108
ms-1 ).
Nos primeiros anos deste século
foram feitas tentativas de obter uma imagem física do átomo,
a partir delas e de outros dados. Thomson mostrou, em
1896, que a aplicação de um elevado potencial elétrico
através de um gás fornece elétrons, sugerindo que
estes estavam presentes no átomo. Rutherford sugeriu, a
partir de experimentos com dispersão de partículas
alfa, que um átomo é constituído por um núcleo pesado
de carga positiva rodeado por um número suficiente de elétrons
para mantê-lo eletricamente neutro. Em 1913, Niels Bohr
combinou essas idéias e sugeriu que o núcleo do átomo
era rodeado por elétrons movendo-se em órbitas, de modo
semelhante ao movimento dos planetas em redor do Sol. Ele
recebeu o Prêmio Nobel de Física de 1922 por seu
trabalho sobre a estrutura do átomo. Diversos problemas
surgiram com esse conceito:
a) O movimento dos elétrons
deveria tornar-se gradativamente mais lento;
b) Por quê os elétrons deveriam
mover-se numa órbita em torno do núcleo?
c) Como o núcleo e os elétrons
apresentam cargas elétricas opostas, eles deveriam
atrair-se mutuamente. Seria de esperar um movimento em
espiral dos elétrons, até a colisão destes com o núcleo.
Para explicar esses problemas,
Bohr postulou o seguinte:
a) Um elétron não emite energia
enquanto permanecer numa mesma órbita e, portanto, seu
movimento não deve desacelerar-se;
b) Quando um elétron passa de
uma órbita a outra, ele ou irradiou ou absorveu energia.
Se ele se moveu em direção ao núcleo, houve irradiação
de energia e, se ele se moveu afastando-se do núcleo,
houve absorção de energia;
c) Para que um elétron permaneça
em sua órbita, a atração eletrostática entre o núcleo
e o elétron, que empurra o elétron em direção ao núcleo
deve ser igual à força centrífuga que tende a afastar
o elétron de sua órbita. Para um elétron de massa m,
movendo-se com uma velocidade v numa órbita de raio r ,
vale:
força centrífuga=mv2
/ r
Sendo e a carga elétrica
no elétron, Z o número de cargas no núcleo, e eo a permissividade no vácuo:
força de atração eletrostática=Ze2
/ 4Õeor2
de modo que
| mv2
/r=Ze2 / 4Õeor2
|
(a) |
e
portanto |
Conforme a teoria quântica de
Plank, a energia não é contínua, mas discreta, ou
seja, a energia ocorre em "pacotes" chamados de
quanta, de magnitude h/2Õ,
o h é a
constante de Planck. A energia de um elétron numa órbita,
isto é, seu momento angular mvr , deve ser igual a um número
inteiro n de quanta.
|
mv=nh/2Õ |
|
v=nh/2Õmr |
|
|
v2=n2
h2 /4Õ2 m2
r2 |
|
Combinando-se a última equação
com a equação (a):
| |
Ze2
/ 4Õeor2 |
= |
n2
h2 /4Õ2 m2
r2 |
|
|
portanto,
r=eo
n2 h2 /
Õme2 Z |
(c) |
|
|
|
Para o hidrogênio a carga do núcleo
é Z=1, e se:
n=1 teremos um valor de r=12
x 0,0529 nm
n=2 teremos um valor de r=22
x 0,0529 nm
n=3 teremos um valor de r=32
x 0,0529 nm
Isso os fornece uma imagem do átomo
de hidrogênio em que um elétron se move em órbitas
circulares de raios proporcionais a 12 , 22
, 32 ,... O átomo somente irradiará energia
ao passar de uma órbita para outra. A energia cinética
de um elétron é -1/2mv2 .
Rearranjando a equação (a):
E=-1/2mv2=- Ze2
/ 8Õeor
Substituindo r pela expressão
obtida em (c):
E=- Z2e4 m/
8Õe2o n2
h2
Se um elétron saltar de uma órbita
inicial i para uma órbita final f, a variação de
energia
DE é:
DE=(- Z2e4
m/ 8Õe2o n2ih2
) - (- Z2e4 m/ 8Õe2o n2fh2
)=- Z2e2 m/ 8Õe2oh2 (1/n2f
- 1/n2i )
A energia se relaciona com o
comprimento de onde (E=hcv), e esta equação tem a forma
da equação de Rydberg:
.
|
v=Z2e4
m/ 8Õe2o
h3c (1/n2f - 1/n2i
) |
(d) |
|
|
|
R=(1/n2f -
1/n2i) equação de Rydberg
Assim sendo, a constante de
Rydberg é:
R=Z2e4 m/ 8Õe2o h3c
O valor experimental de R é 1,097373
x 107 m-1 , em boa concordância
com o valor teórico de 1,096776 x 107 m-1
. A teoria de Bohr fornece uma explicação para os
espectros atômicos do hidrogênio. As diferentes séries
de linhas espectrais podem ser obtidas variando os
valores de ni e nf na equação (d).
Por exemplo, para nf=1 e ni=2, 3, 4,
... obteremos a série de Lyman de linhas na região do
ultravioleta, conforme figura abaixo:
APRIMORAMENTO
DA TEORIA DE BOHR
Pensou-se que o núcleo
permanece estacionário, executando um movimento de rotação
em torno do próprio eixo. Isso seria verdadeiro se a
massa do núcleo fosse infinita, mas a relação entre as
massas do elétron e do núcleo de hidrogênio é de 1/1.836.
Na realidade, o núcleo oscila ligeiramente em torno do
centro de gravidade, e, para atender a esta situação,
substitui-se na equação (d) a massa do elétron m
por sua massa reduzida µ:
µ=mM/m
+ M
onde M é a massa
do núcleo. A inclusão da massa do núcleo explica
porque diferentes isótopos de um elemento produzem
linhas espectrais de comprimento de onda ligeiramente
diferentes.
As órbitas são designadas pelas letras K, L, M, N ...
a partir do núcleo; são também numeradas por 1, 2, 3,
4 ... Esse número é chamado de número quântico
principal, dado pelo símbolo n. Especificando o
número quântico principal, é possível definir qual
das diferentes órbitas circulares está sendo
considerada.
Quando um elétron se move de uma órbita para outra,
deve originar-se uma linha única forte no espectro,
correspondendo à diferença de energia entre os órbitas
inicial e final. Observando o espectro do hidrogênio com
um espectrômetro de alta resolução, verifica-se que
algumas das linhas revelam uma "estrutura fina".
Isso significa que uma linha é composta na realidade por
várias linhas muito próximas. Sommerfeld explicou esse
desdobramento das linhas supondo que algumas das órbitas
são elípticas, e que ocorre um movimento de precessão
no espaço em torno do núcleo. Para a órbita mais próxima
do núcleo, o número quântico principal é n=1,
havendo uma órbita circular. Para a órbita seguinte, o
número quântico principal é n=2, sendo possíveis
tanto órbitas circulares como elípticas. Para definir
uma órbita elíptica, é necessário um segundo número
quântico k. A forma elipse é definida pela
relação entre os comprimentos dos eixos maior e menor.
Assim,
eixo maior/eixo
menor=n/k
k é
chamado de número quântico azimutal ou secundário, e
pode ter valores de 1, 2 ..n. Para n=2,
n/k pode ter os valores 2/2 (órbita circular) e
2/1 (órbita elíptica). Para o número quântico
principal n=3, n/k pode ter os valores
3/3 (circular), 3/2 (elíptica) e 3/1 (elíptica mais excêntrica).
Essas órbitas adicionais, com energias ligeiramente
diferentes uma das outras, explica o desdobramento das
linhas espectrais reveladas com alta resolução. O número
quântico original k foi assim substituído por
um novo número quântico l, sendo l=k
- 1. Tem-se:
n=1 --- l=0
n=2 --- l=0 ou 1
n=3 --- l=0 ou 1 ou 2
n=4 --- l=0 ou 1 ou 2 ou 3
Isso explica
porque algumas das linhas espectrais estão subdivididas
em duas, três, quatro ou mais linhas. Além disso,
algumas linhas espectrais são novamente desdobradas em
duas linhas (um duplete). Explica-se esse fato supondo
que o elétron pode girar em torno de seu próprio eixo
em sentido horário e anti-horário. A energia é
quantizada, e o valor do momento angular da rotação foi
\n';
document.write(barra);
}
}
changePage();
inicialmente tido como sendo ms h/2Õ onde ms
é o número quântico do spin, com valores de + ou - 1/2
(a mecânica quântica mostrou, desde então, que a
expressão correta é a s1/2 (s+1)h/2Õ, onde
s é número quântico de spin ou a combinação de vários
spins).
Zeeman mostrou que, ao colocarmos átomos num campo magnético
forte, aparecem novas linhas no espectro. Elas se devem
ao fato das órbitas elípticas assumirem apenas
determinadas orientações em relação ao campo externo,
e não sofrerem precessão aleatoriamente. Cada uma
dessas orientações está associada a um quarto número
quântico m, que pode ter valores de l, (l
- 1)... 0 ...(-1 +1), -l.
Sendo assim, uma linha espectral única aparece como (2l
+ 1) linhas, se aplicarmos um campo magnético. São
necessários quatro números quânticos para explicar o
espectro do átomo de hidrogênio. Os espectros dos
outros átomos podem ser explicados da mesma maneira.
As moléculas
Em muitas substâncias,
os átomos são agrupados em agregados de 2 átomos ou
mais. Tal agregado de átomos é chamado de molécula e o
termo geralmente implica um número comparativamente
pequeno de átomos. No interior de uma molécula, os átomos
componentes permanecem juntos por forças chamadas ligações
químicas. Sucintamente uma molécula é um
composto de partículas que consistem em 2 ou mais átomos
quimicamente ligados um ao outro. Mesmo em gases onde as
moléculas possam estar afastadas, no interior da molécula
os átomos estão relativamente presos uns aos outros
devido às fortes ligações químicas.
Nem todas as substâncias são moleculares na natureza.
Alguns sólidos e líquidos consistem em agregados de átomos
extremamente grandes. Embora estes grandes agregados
sejam algumas vezes referidos como "moléculas
gigantes", o termo molécula normalmente implica um
grupo de átomos.
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